01 julho 2025

Serei Diferente? Ou Marioneta Para Sempre?

Às vezes, queria ser brisa do vento,
Seguir horizontes, sem contratempo.
Mas sou conduzida, sem direção,
Por doces enganos, por desilusão...

Esperamos tempo a mais por tudo
E perdemos tempo com coisas de nada!

Somos tão vazios quando somos dos outros...
A essência esvai-se ao sermos comandados
Somos nada mais que matéria a agir em conformidade
Somos seres que procuram estética e vaidade.
Sempre na procura incessante de momentos fugazes de prazer
Vivemos num mundo que tem tão pouco de verdade!

Num mundo oco de tanta ilusão,
Vivemos prazeres curtos… e frustração.
Nem vemos o que nos rodeia,
Não apreciamos o ar que um dia nos vai faltar...

Esquecemos do que somos feitos
E seguimos só os ponteiros do relógio
O sol esconde-se e manda-nos descansar
Há que repor energias para amanhã ir trabalhar.

Nem vemos mais o céu ou o mar,
Nem sentimos o ar a passar.
Não há tempo, só obrigação,
Somos robôs em operação.

E só quando não vamos trabalhar,
É que parece que podemos viver.
Mas mesmo aí há obrigações,
E outra vez não fazemos o que queríamos fazer...

Viver não é fácil de entender,
Uns tentam, outros só querem sobreviver.
Viver dói… mas há poesia em tentar,
Mesmo sem saber onde vamos parar...

Mesmo que possamos vir a perder...
(Mas é possível perder algo e depois ganhar)
E não falo de casas, carros e zeros à direita
Refiro-me a abraços, paisagens delicadas,
A fogueiras e noites estreladas
Ao pôr do sol e a quedas de água brutais
E às arvores que um dia vão ser só jornais

Até isso destruímos sem pensar,
Se é do outro, deixamos ficar.
Mas tudo um dia nos vai faltar,
E já será tarde pra recuperar!
Já estou a divagar

Começo a falar de mim,
E logo vêm os outros atrás...
Serei tão igual a eles,
que nem sei onde me separar?

Serei diferente?
Ou marioneta para sempre?
Dou a volta… ou aceito a derrota?
Sou apenas mais um comum mortal,
Ou tenho em mim a força de tornar o Sonho real?

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