26 junho 2025

Avatares de Um Sistema Que Vende Sonhos

Um dia… alguém se atravessou no meu caminho.

Fez-me ver — não com os olhos, mas com a alma. 

E percebi que vivemos muito aquém do que podemos ser.


A rotina é um veneno que se bebe devagar. 

Um gole por dia. E sorrimos… só na sexta à noite!

A felicidade não devia ter hora. 

Nem calendário. 

Nem pausa programada.


Procuramos o prazer… Rápido. Barato. Efémero.

E perdemos tempo com… nada.

Somos de quem nos possui. 

E quando deixamos de ser nossos… perdemos tudo!


A essência esvai-se. 

Ficamos moldados. Somos Padrões. 

Avatares de um sistema que vende sonhos… 

E cobra caro pra viver.


Vivemos em relógios. 

Tic. Tac. Tic. Tac.

Trabalho.

Sono.

Contas.

Repete tudo outra vez...

E quando temos tempo… 

o tempo já está comprometido.


Quando tivermos tempo para respirar,

Serão já as sombras a guiar o caminhar.

A bengala firme, amiga do momento,

E contar trocos será o nosso tormento. 

13 junho 2025

Sem Meios-Termos

Quase dois anos depois, publico algo neste cantinho! E mais virão...


Sou meia desarrumada,
de um jeito estranho de ser.
Sou o 8 e sou o 80,
só assim sei viver!

Sou a calma e a euforia,
a natureza e um bar de música.
O escrever num caderno,
o dançar na pista de dança,
o filme no sofá,
uma ida à praia,
o risco, a adrenalina,
ou o dormir a sesta da tarde.

Uns dias sou a preguiça,
noutros o esforço e dedicação.
Sou a montanha no inverno
e a praia no verão.

Sou imperfeita
e permanentemente incompleta.
Por vezes, uma música desafinada,
sou trevo de três folhas,
a flor no meio das silvas,
e a silva no meio de flores.

Tanto sou o fogo de uma lareira
como o fogo na mata sem rumo.
Sou a brisa no verão
e a ventania que leva tudo pelo ar.

Sou a cabeça no ar
com os pés bem assentes na terra.
Sou a emoção de um filme bonito
e as lágrimas secas num funeral.

Já sei escrever sem rimar
e já aprendi a engolir sapos.
Mas nem sempre sou de me calar.
Sou a coragem de acampar sozinha
e a medricas da água fria
e de saltar de penhascos.

Sou uma tela colorida
e uma foto a preto e branco.
Sou a velocidade de uma corrida,
o cantar desafinado,
a espera num banco.

Sou pássaro fora de gaiola
que também aprendeu a viver nela.

Sou a gargalhada de ficar sem ar
e sei chorar em posição fetal.
A tempestade com nome de mulher
e o arco-íris num dia cinzento.

Sou a senhora dos vestidos longos
e a miúda dos calções curtos.
A que veste fato de treino de manhã
e fatiotas catitas à tarde.

Não sou de meios-termos,
nem de “mais ou menos” ou “qualquer coisa”.
Sou de imensidão, do muito, do tanto,
do tudo ou nada,
da energia, do poder,
do saber estar e do saber ser.

Não me rodeio de qualquer coisa,
e sei deixar o que nada me acrescenta.
Nem sempre faço as melhores escolhas,
mas, na vida, é o vai ou rebenta!