10 outubro 2021

Versos Cinzentos

A partilha do fim do dia, da vista das estrelas ou das ondas do mar
Dizer em uníssono “Até Amanhã Sol”
Ou acordar com o som das cascatas num campo verdejante

Comer amendoins ao som da guitarra e uma fogueira
Subir uma torre sem saber como a vou descer
Dormir naquela casa com teias e uma janela gigante para o rio
E compor músicas ao luar sem saber que dois dias depois tudo iria acabar…

Há um telhado que agora tem cadeado 
Já não se podem fazer lá jantares
Não dá para ir lá ver as estrelas
Nem dormir umas horas até gelar e voltar para baixo
Alguém que soube de tudo, quis fechar um sítio que era nosso
Um sítio repleto de memórias e momentos fantásticos.

Percorrer uma floresta sem saber bem qual o destino
Saltar das alturas confiando cair no melhor colo do mundo
Remar em equipa para levar o barco à ilha
Ver todos os fogos de artifício de várias cidades 
E quase desmaiar em águas quentes numa noite gelada

Não te esquecer tem todas estas razões e mais algumas 
Razões essas que não são possíveis de serem escritas
Razões essas que só são vividas e sentidas
E eu sinto-as. Passado meses, sinto-as de igual forma
E dói! Dói porque só as sinto e já não as vivo!

Ultimamente, ver as estrelas já não tem o mesmo encanto.

05 julho 2021

Se o amor dói eu não quero mais disso!

Se o amor dói assim

Eu não quero mais disso

Arranquem de mim esta coisa

Ou invento eu um feitiço.


Se o amor me faz chorar

Então não quero mais amar

Nem quero mais ser amada

Se for para chorar, então essa porta fica fechada.


Se o amor é para me deixar de cama

Sem ter vontade de comer

Então prefiro não sentir nada isso

Prefiro mandá-lo fo***


Se o amor é para lixar a vida

E me deixar sem chão

Então prefiro ir a um banco de transplantes

E doar-lhes o meu coração.


Se o amor é aquilo que faz mal

Mesmo que de vez em quando faça bem

Eu não sei se quero sentir essa coisa

E viver disso como refém…


Se o amor continuar por aí a rondar

E estiver à espreita na próxima cortada

Serei obrigada a emigrar

E procurar um sítio onde não se sinta nada.


Mas se o amor for casa

Se o amor for boa companhia

Se for carinho em horas de solidão

E abraços que aconchegam o coração

Eu posso pensar melhor sobre o assunto

E talvez abrir uma exceção...


Mas só se o amor for rega em tempo de secura

E sol no tempo mais frio

Se for luz no escuro 

E dança da minha música

O amor pode entrar 

Pode despir o casaco e sentar.


Se amor for o que se vê na praia, 

nos jardins e em vales postais

Então também quero para mim

E no natal vou pedir aos meus pais.


Se o amor estiver lá quando nem eu quero estar

Se souber dar um carinho quando eu precisar

Se souber rir com as minhas brincadeiras

E aceitar que às vezes precise de dizer asneiras

O amor pode existir na minha vida

E até pode entrar sem pedir licença

Se o amor for realmente amor

Saberá ir ter à minha residência.