23 outubro 2015

Quem Sou Eu?

De onde somos, para onde vamos não é tão importante como a pergunta retórica “Quem somos?”. Tantas vezes já me perguntei “Quem sou eu?” e muitas foram as vezes que não obtive resposta.
A verdade é que somos o que nos rodeia e os que nos rodeiam, o que usamos para ir para a escola, o que dizemos aos pais antes de sair de casa, o que levamos vestido, o penteado que fazemos ou aquele que não nos importa fazer. Somos o que gostamos, o que dizemos, a família que amamos e os amigos que escolhemos. Somos os filmes que vemos, os hobbies que temos, a comida que gostamos os desportos que praticamos.

O que sou eu no meio disto tudo?
Sou um pouco de primavera com campos floridos
Praia no verão e outonos perdidos.
Sou caneta, sou lápis, sou papel.
Sou diversão, alegria, sou carrocel.

Água e terra, planície e serra.
Sou neve, sou sol, sou um pouco como girassol.
Sou dança contemporânea, salsa, jive, tango e valsa.
Sou danças, música, cinema e teatro.
Sou bicicleta, ténis, futebol.
Sou livros, viagens, sou redes sociais.
Sou o que nasci dos meus pais.

Azul, laranja, verde,
Cabelo curto, loiro e esticado,
Sou, quando não me apetece ter trabalho,
Cabelo mal amanhado.

Sou calças, calções ou vestidos,
Botas ou sapatilhas,
Sou jazz, rock e pop,
Sou experiências, sou workshop.
Sou forte e não faço musculação,
Sou gato, chita e sou cão.
Sou metro e meio, sou miúda de passeio.

Sou doces, frutas, verduras,
Sou bacalhau com natas, à brás, cozido ou assado
E à pouco esqueci-me de referir o fado.

Não sou China nem Japão,
Mas Dubai e Marrocos são para mim uma missão.

Sou pouco de decisões,
Mais de reflexões,
Sou alguém com destino incerto,
Destino esse que está perto.
Não sei fazer o pino,
Mas sou rapariga de pouco tino.

Sou mais praia que piscina,
Mais escalada que slide.
Sou mais dia do que noite,
Mais cadeira que banco,
Sou pouco de preto, sou mais de branco.

Sou tudo isto e não sei ser mais nada,
E talvez por isso da vida leve tanta chapada.
Sou eu, Inês Lima. Prazer ;)

18 outubro 2015

ÓH MAR...

Óh  Mar
Que enigma és tu?
Tens tanto de mau
Como tens de bom
Fico calma quando te vejo
Óh Mar, tu tens um dom.

Óh Mar
Tens em ti a imensidão
E tens peixes no coração
As algas, os corais, as ondas
Ai as ondas…
Que tantos se perdem no meio delas.
Porque nos levas para essa vastidão?
Sabes que não somos peixes
E nem todos sabem nadar
Mesmo assim não paras de nos levar…

Levas os barcos, as pessoas
E quando não vamos até ti
Vens tu até nós
E destróis…
Destróis tudo:
Casas, carros, escolas,
Hospitais, abrigos, museus
Levas o que é dos outros e levas também os meus.
Levas pais, mães, filhos, avós, amigos
Levas como se nada tivesses
Levas como se te sentisses só…
Sentes-te só óh Mar?
Perdes-te nessa largueza?
Sentes falta de riqueza?
Queres tudo para ti
Nada deixas cá
Pára de fazer isso, vá lá!

És tão bom sem o teu lado mau
Aquietas quando não estamos bem
Serves de refresco no verão
E para muitos és diversão.

Foste tu que nos deste o mundo
Mas muitos deixaste no fundo
Tantas mães choraram
Tanta dor se sofreu
Mas depois de muitos esforços a pena valeu.

Óh Mar que medos tens tu?
Se quiseres desabafar
Somos boa gente, podes confiar
Não estás só.
Tens tanto mas não sabes
E levas acima das tuas possibilidades.
Raptas e não pedes resgate
Existes por toda a parte
Queres tudo teu
Que chega a ser disparate.

Óh Mar peço-te que nos protejas
E não que nos afundes.
Afundados andamos nós em Terra
Afundados em dívidas
Em prejuízos e problemas
E precisamos de ti para nos dares tranquilidade
Sei que não vais lá com poemas
Mas peço-te: Tem piedade!