16 agosto 2020

A Escada para o Arco-Íris

O preto, o branco, o cinza….

Procura o arco-íris e nem é pelo pote de ouro

Quero pintar a vida com as cores que nele existem

Essas são para mim o verdadeiro tesouro…


Esta vida é uma escada íngreme sem fim à vista

Olho para baixo, tenho vertigens 

Olho para cima e fico cansada

E assim fico nesta escada, parada…


Num desassossego tão sossegado

Sinto-me incapaz de sair dele

Se subo uma escada, tropeço e caio 

E numa das quedas que dou até desmaio…


Acordo, olho à volta e percebo…

Percebo que ali não posso ficar

E se quero a vista do topo

Tenho mesmo de me esforçar…


Cansada e com quedas pelo meio

Subo a alta e íngreme escadaria 

Lembro-me das quedas que dei

E penso que se não as desse, aqui não estaria…


Subo com medo de tropeçar,

Mas esse medo faz-me subir com mais cautela

Vou chegando a pouco e pouco ao arco-íris

E com as suas cores vou pintando a minha tela!

11 agosto 2020

Nada Nunca se torna Tudo para Sempre

Não há o nunca e muito menos o sempre
E cada vez tenho disso mais certeza
O tudo e o nada são inconstantes
Fico cansada destes advérbios sem clareza…

O nada é demasiado pouco
Mas o tudo torna-se em demasia
Já não sei se sei ser moderada
Sei que hoje não consigo, mas talvez um dia...

Mas nunca nada é para sempre 
E o “nunca” acima acabou por ser incoerente
Se nem o nunca nem o sempre existem
Devemos falar em probabilidades?
Nunca fui boa a matemática
Mas posso tentar isto das quantidades…

Caraças! que voltou a escapar-me o “nunca”
E tu, será que também reparaste?
Ou já está tão enraizado em nós.
Que leste o “nunca” mas nem pensaste?

A verdade é que “tudo” isto é uma maneira de falar
E estes advérbios não podem ser levados à letra
Porque nesta vida o “tudo”, o “nada”, o “nunca” e o “sempre” 
São ilusões, são falácias, são, na verdade, uma grande treta!!