30 maio 2016

Um Livro Aberto e 4 Estações

Sou um livro aberto com páginas em branco para tu completares
E outras escondidas para tu adivinhares
Um livro que recomendo
Mas com partes difíceis
És capaz de ficar cansado a meio
Ou até mesmo no início
Mas dependendo de ti
Este livro pode ter um final feliz

No início encontras apenas a minha raiz
E durante o meu crescimento
Vais ter inúmeras folhas
Umas caídas, outras não
Folhas de inúmeras cores
Verdes, amarelas, vermelhas,
Toda eu sou um Outono em certa parte
Procurando o seu rumo

Mais tarde…
Encontras o meu lado mais frio
E vais querer resguardar-te de mim
Vais desprezar-me como qualquer um despreza o Inverno
Vais desejar que me vá embora

Até ao dia em que as minhas flores nasçam
E dar-ti-ei frutos para fazeres o teu sumo preferido
Vais passear no jardim
E vais-te lembrar de mim
Não como a menina fria do Inverno
Mas a que desenhaste um dia no teu caderno

Depois chegará o dia em que:
Vais desejar-me quente e nua
Não vais aguentar o meu calor
Vais querer que te refresque
E vais ver-me toda eu uma flor

E é assim que funciono
Uns dias quente, outros fria
E às minhas variações de humor
Vais ter de te habituar
E é se queres acabar de ler o livro
E teres-me aos teus braços a suspirar.

28 maio 2016

Sem Título...

Já no quarto…
A luz de cabeceira acesa
O pijama vestido
O caderno aberto
O lápis na mão
A música de fundo
E a alma presente
Escrevo palavras
Escrevo versos
Tento escrever algo que seja “decente”
E não me faça parecer louca ou demente

Saem parvoíces
Coisas sem jeito e sem nexo…
Ah! Também tenho uma borracha ao lado
Para apagar o que sem sentido
Para o papel foi transportado.
Escrevo, Apago, Reescrevo e torno a apagar
Faço disto uma rotina até acertar com a palavra
Até acertar com a verdade ou com a ilusão
Mas nos meus poemas
Não falta nem alma, nem coração
O sentimento será e estará sempre certo
E em princípio a borracha não será precisa
E desculpem qualquer coisa…
Eu sei que não sou grande poetisa!

Nem tudo o que escrevo sou eu
Por vezes sim, outras vezes não
Quem me conhece sabe quando sou eu
E quando escrevo com a cabeça
Ou quando escrevo com o coração.

Passo meses sem escrever um único verso
Mas depois há uma luz
Não sei se é do além, se é do universo
Que me faz pegar no lápis
Abrir o caderno
E algo que me seduz
Dá asas à minha imaginação
E escrevo até me cansar
Ou até me doer a mão.

Escrevo sobre tudo ou sobre nada
Escrevo sobre montanhas, rios, oceanos
Escrevo sobre o amor (como se soubesse muito do assunto)
Escrevo sobre a amizade (e dessa eu sei bem do que se trata)
Escrevo sobre o mundo, sobre gentes, sobre sociedades
Sobre mentiras, ilusões, pensamentos e verdades
Escrevo sobre ocasiões, datas e pessoas importantes
Não sobre o Presidente da Republica ou o Papa
Mas sobre familiares e amigos marcantes.

Escrevo muito às vezes sobre nada
Como este poema sem título
Que nem é um poema sobre o mundo
Nem um poema sobre a vida de uma fada
É apenas uma espécie de poema
Em que digo tudo e é sobre nada.

Sei Lá Eu o Que é Que Sou...

Sou o que sou
Mas se perguntarem o que sou
Não saberei responder
Porque sou qualquer coisa que não sei o quê
E sou um pouco de tudo o que veem
Mas nada daquilo que acham.

Sou o que sou
Não sou o que os outros querem que seja
Ou o que eu gostaria de ser ou não ser
Sou o que sou e sempre fui e talvez serei.
Não mudei vírgulas
Posso só ter posto alguns pontos finais
Mas de tudo o que sou e fui
Mudei a roupa, o corte de cabelo e pouco mais.

E tu? Sabes o que realmente és?