31 outubro 2016

Incomplet_

Prisão sem grades
Jardim sem flores
Floresta sem árvores
Mar sem ondas
Montanha sem altura
Água sem hidrogénio
Casa sem teto
Universo sem planetas
Armário sem porta
Cómoda sem gavetas
Dor sem Ai
Candeeiro sem luz
Problema sem solução
Lua sem cratera
Música sem som
Dança sem coreografia
Porta sem puxador
Calendário sem dias
Coimbra sem fado
Teclado sem teclas
Relógio sem horas
Flor sem pétalas
Coração sem artérias
Gronelândia sem gelo
Fotografia sem imagem
Cascata sem água
Trenó sem neve
Seara sem trigo
Bicicleta sem selim
Rosa sem espinhos
Poço sem fim
Mãe sem filhos
Avó sem netos
Balão sem ar
Escada sem degraus
Ponte sem chão
Pássaro sem asas
Rio sem foz
Praia sem mar
Dunas sem areia
Avião sem piloto
Castelo sem muralhas
Veneza sem gôndola
Aveiro sem moliceiro
Arco-íris sem cor
Estrada sem caminho
Documento sem nome
Garrafa sem rótulo
Caneta sem tinta
Perfume sem cheiro
Tomada sem eletricidade
Esquentador sem gás
Bussola sem norte e sul
Choro sem lágrimas
Cão sem dono
Fatura sem IVA
Carro sem volante
Alegria sem gargalhada
Lareira sem calor
Fogo sem chama
Óculos sem lentes
Paris sem torre Eiffel
Autocarro sem passageiros
Goma sem açúcar
Natal sem luzes
Carrocel sem movimento
Livro sem letras
Viola sem cordas
Mapa sem direções
Este poema sem imagens
(=)


eu sem ti

23 outubro 2016

o Fim da Vida!

               (...)
Que emigrem os pássaros
Que se esvaziem os rios
Engulam os mares
Abatam as florestas
Apaguem-se todas as luzes da rua
Parem os carros, os comboios
Voem para longe todos os aviões
Desapareçam os areais infinitos.
Podem levar as nuvens
E levem com elas as verdades
Acabem com os mitos
E quaisquer imensidades.

Tirem as pilhas aos relógios
Cortem os cabos da Internet
Desliguem todos os telefones
E vão para a rua esperar...

As flores...essas vão acabar por murchar
As árvores não vão mais crescer
O mundo terá um fim
O céu irá escurecer

E em noite cerrada
Sem saber horas ou minutos
O sol não vai mais voltar
Nem a lua será mais visível

Não haverá mares, rios, lagos ou oceanos
Não haverá barulhos, sons ou musica de pianos
Não haverá jardins, pomares, florestas
Acabarão as manhãs, as tardes, as noites
Já não haverá mais tempo para sestas.
O vento, a chuva e o sol irão embora
Resta uma neblina fria e desconfortável
Com a imensidão que paira sobre nós
Sentimos chegar o que era inevitável.

Haverá por fim...
A garatuja de um pensamento
A dor que já não é mais sentida
E com um rabisco d´um momento
Vemos chegar...o fim da vida!!

Nada mais importa
Nada mais resta
Fica ar, fica pó
Não sobra desta vida nem uma aresta.
E num silêncio ensurdecedor
Fica tudo preto e branco
Desaparece um mundo cheio de cor
E fica ar, fica pó e um só e vazio banco.

Banco sem jardim
De uma madeira podre que já não brilha
É também para o banco uma despedida
Porque banco sem nada nem ninguém
É também um banco sem vida!