Seguir horizontes, sem contratempo.
Mas sou conduzida, sem direção,
Por doces enganos, por desilusão...
Esperamos tempo a mais por tudo
E perdemos tempo com coisas de nada!
Somos tão vazios quando somos dos outros...
A essência esvai-se ao sermos comandados
Somos nada mais que matéria a agir em conformidade
Somos seres que procuram estética e vaidade.
Sempre na procura incessante de momentos fugazes de prazer
Vivemos num mundo que tem tão pouco de verdade!
Num mundo oco de tanta ilusão,
Vivemos prazeres curtos… e frustração.
Nem vemos o que nos rodeia,
Não apreciamos o ar que um dia nos vai faltar...
Esquecemos do que somos feitos
E seguimos só os ponteiros do relógio
O sol esconde-se e manda-nos descansar
Há que repor energias para amanhã ir trabalhar.
Nem vemos mais o céu ou o mar,
Nem sentimos o ar a passar.
Não há tempo, só obrigação,
Somos robôs em operação.
E só quando não vamos trabalhar,
É que parece que podemos viver.
Mas mesmo aí há obrigações,
E outra vez não fazemos o que queríamos fazer...
E só quando não vamos trabalhar,
É que parece que podemos viver.
Mas mesmo aí há obrigações,
E outra vez não fazemos o que queríamos fazer...
Viver não é fácil de entender,
Uns tentam, outros só querem sobreviver.
Viver dói… mas há poesia em tentar,
Mesmo sem saber onde vamos parar...
Mesmo que possamos vir a perder...
(Mas é possível perder algo e depois ganhar)
E não falo de casas, carros e zeros à direita
Refiro-me a abraços, paisagens delicadas,
A fogueiras e noites estreladas
Ao pôr do sol e a quedas de água brutais
E às arvores que um dia vão ser só jornaisAté isso destruímos sem pensar,
Se é do outro, deixamos ficar.
Mas tudo um dia nos vai faltar,
E já será tarde pra recuperar!
Já estou a divagar
Começo a falar de mim,
E logo vêm os outros atrás...
Serei tão igual a eles,
que nem sei onde me separar?
Serei diferente?
Ou marioneta para sempre?
Dou a volta… ou aceito a derrota?
Sou apenas mais um comum mortal,
Ou tenho em mim a força de tornar o Sonho real?


