de um jeito estranho de ser.
Sou o 8 e sou o 80,
só assim sei viver! Sou a calma e a euforia,
a natureza e um bar de música.
O escrever num caderno,
o dançar na pista de dança,
o filme no sofá,
uma ida à praia,
o risco, a adrenalina,
ou o dormir a sesta da tarde.
Uns dias sou a preguiça,
noutros o esforço e dedicação.
Sou a montanha no inverno
e a praia no verão.
Sou imperfeita
e permanentemente incompleta.
Por vezes, uma música desafinada,
sou trevo de três folhas,
a flor no meio das silvas,
e a silva no meio de flores.
Tanto sou o fogo de uma lareira
como o fogo na mata sem rumo.
Sou a brisa no verão
e a ventania que leva tudo pelo ar.
Sou a cabeça no ar
com os pés bem assentes na terra.
Sou a emoção de um filme bonito
e as lágrimas secas num funeral.
Já sei escrever sem rimar
e já aprendi a engolir sapos.
Mas nem sempre sou de me calar.
Sou a coragem de acampar sozinha
e a medricas da água fria
e de saltar de penhascos.
e uma foto a preto e branco.
Sou a velocidade de uma corrida,
o cantar desafinado,
a espera num banco.
Sou pássaro fora de gaiola
que também aprendeu a viver nela.
Sou a gargalhada de ficar sem ar
e sei chorar em posição fetal.
A tempestade com nome de mulher
e o arco-íris num dia cinzento.
Sou a senhora dos vestidos longos
e a miúda dos calções curtos.
A que veste fato de treino de manhã
e fatiotas catitas à tarde.
Não sou de meios-termos,
nem de “mais ou menos” ou “qualquer coisa”.
Sou de imensidão, do muito, do tanto,
do tudo ou nada,
da energia, do poder,
do saber estar e do saber ser.
Não me rodeio de qualquer coisa,
e sei deixar o que nada me acrescenta.
Nem sempre faço as melhores escolhas,
mas, na vida, é o vai ou rebenta!


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