Perdida sem mapa
Sem direções
Sem saber sequer o que está para vir.
Não há placas, não há bussolas
Desnorteada sem saber do norte
Desorientada sem saber do oriente
Desolada sem saber qual o melhor lado
Não há ninguém para dar indicações
Apenas estradas, caminhos de terra
Sem carros, sem sinais, sem peões
Desço colinas, percorro planícies, subo serras.
Não avisto o fim
Mas para trás deixo pegadas
Um caminho que percorri
Que deixa marcas bem marcadas.
No presente escorrem-me as lágrimas e o suor do rosto
Cansaço e dores de carregar as pedras
Mas já dizia Pessoa:
Um dia construo um castelo
E por mais que me doa
Guardo tudo o que encontro no caminho
E às vezes até encontro algo de belo
E são essas as lembranças da vida que guardo com carinho!
Guio-me por estrelas
E pelo nascer e pôr do sol
O rebanho passeia no prado
Mas não sou pastor.
As colmeias têm de ser tratadas
Mas não nasci apicultor.
Terras secas a precisar de ser regadas.
Ninguém fez de mim um agricultor.
Sei que tudo se desmorona à minha volta
Mas a nenhum sítio pertenço
E eu que nada faço, só penso…
Cai neve e congela-me
Faz sol e derreto-me
O vento quase me leva
A chuva encharca-me
As nuvens pedem que as decifre
As estrelas pedem que as conte
Assim o tempo passa
Sem que nada eu faça
E do cimo de um monte
Vejo tudo e não vejo nada
O mundo corre e a minha vida parada…

Sem comentários:
Enviar um comentário