28 maio 2016

Sem Título...

Já no quarto…
A luz de cabeceira acesa
O pijama vestido
O caderno aberto
O lápis na mão
A música de fundo
E a alma presente
Escrevo palavras
Escrevo versos
Tento escrever algo que seja “decente”
E não me faça parecer louca ou demente

Saem parvoíces
Coisas sem jeito e sem nexo…
Ah! Também tenho uma borracha ao lado
Para apagar o que sem sentido
Para o papel foi transportado.
Escrevo, Apago, Reescrevo e torno a apagar
Faço disto uma rotina até acertar com a palavra
Até acertar com a verdade ou com a ilusão
Mas nos meus poemas
Não falta nem alma, nem coração
O sentimento será e estará sempre certo
E em princípio a borracha não será precisa
E desculpem qualquer coisa…
Eu sei que não sou grande poetisa!

Nem tudo o que escrevo sou eu
Por vezes sim, outras vezes não
Quem me conhece sabe quando sou eu
E quando escrevo com a cabeça
Ou quando escrevo com o coração.

Passo meses sem escrever um único verso
Mas depois há uma luz
Não sei se é do além, se é do universo
Que me faz pegar no lápis
Abrir o caderno
E algo que me seduz
Dá asas à minha imaginação
E escrevo até me cansar
Ou até me doer a mão.

Escrevo sobre tudo ou sobre nada
Escrevo sobre montanhas, rios, oceanos
Escrevo sobre o amor (como se soubesse muito do assunto)
Escrevo sobre a amizade (e dessa eu sei bem do que se trata)
Escrevo sobre o mundo, sobre gentes, sobre sociedades
Sobre mentiras, ilusões, pensamentos e verdades
Escrevo sobre ocasiões, datas e pessoas importantes
Não sobre o Presidente da Republica ou o Papa
Mas sobre familiares e amigos marcantes.

Escrevo muito às vezes sobre nada
Como este poema sem título
Que nem é um poema sobre o mundo
Nem um poema sobre a vida de uma fada
É apenas uma espécie de poema
Em que digo tudo e é sobre nada.

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