18 outubro 2015

ÓH MAR...

Óh  Mar
Que enigma és tu?
Tens tanto de mau
Como tens de bom
Fico calma quando te vejo
Óh Mar, tu tens um dom.

Óh Mar
Tens em ti a imensidão
E tens peixes no coração
As algas, os corais, as ondas
Ai as ondas…
Que tantos se perdem no meio delas.
Porque nos levas para essa vastidão?
Sabes que não somos peixes
E nem todos sabem nadar
Mesmo assim não paras de nos levar…

Levas os barcos, as pessoas
E quando não vamos até ti
Vens tu até nós
E destróis…
Destróis tudo:
Casas, carros, escolas,
Hospitais, abrigos, museus
Levas o que é dos outros e levas também os meus.
Levas pais, mães, filhos, avós, amigos
Levas como se nada tivesses
Levas como se te sentisses só…
Sentes-te só óh Mar?
Perdes-te nessa largueza?
Sentes falta de riqueza?
Queres tudo para ti
Nada deixas cá
Pára de fazer isso, vá lá!

És tão bom sem o teu lado mau
Aquietas quando não estamos bem
Serves de refresco no verão
E para muitos és diversão.

Foste tu que nos deste o mundo
Mas muitos deixaste no fundo
Tantas mães choraram
Tanta dor se sofreu
Mas depois de muitos esforços a pena valeu.

Óh Mar que medos tens tu?
Se quiseres desabafar
Somos boa gente, podes confiar
Não estás só.
Tens tanto mas não sabes
E levas acima das tuas possibilidades.
Raptas e não pedes resgate
Existes por toda a parte
Queres tudo teu
Que chega a ser disparate.

Óh Mar peço-te que nos protejas
E não que nos afundes.
Afundados andamos nós em Terra
Afundados em dívidas
Em prejuízos e problemas
E precisamos de ti para nos dares tranquilidade
Sei que não vais lá com poemas
Mas peço-te: Tem piedade!


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